"Uma honra" perder para heróis nacionais
O presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, aceitou a derrota nas eleições presidenciais deste fim de semana e marcou a segunda volta para Abril.
Na primeira, nenhum dos candidatos obteve votação de, pelo menos, 50%. Ramos-Horta não participa na segunda volta, porque ficou em terceiro lugar com 18% dos votos.
Passaram à segunda volta – a realizar na terceira semana de Abril – o presidente da Fretilin, Francisco Guterres Lu Olo, e o ex-chefe das Forças Armadas general Taur Matan Ruak. Entre 12 candidatos, Lu Olo obteve 31% dos votos e Matan Ruak 25%, de acordo com os números do apuramento provisório.
Ramos-Horta declarou que, como Chefe de Estado, vai manter “rigorosa neutralidade” e disse ser uma honra perder as eleições contra dois heróis nacionais”.
"Os dois candidatos que chegam ao final têm uma história; 24 anos de luta, preenchem a definição de herói nacional. Se eu perante isto perco, embora esta palavra neste contexto para mim não tenha o mais pequeno significado, mas se usarmos a palavra perder em relação a estes dois heróis nacionais é uma honra", disse o presidente.
Ramos-Horta elogiou o comportamento, segundo ele “admirável” de todos os candidatos e disse estar satisfeito por poder entregar ao próximo presidente "um país tranquilo” em que “o povo readquiriu a alegria, a fé e o optimismo.
“As ruas de Díli estão tranquilas, as nossas forças armadas e a nossa polícia razoavelmente organizadas", frisou Ramos-Horta para dizer que entrega um país em melhor estado do que o encontrou.
O presidente não deu indicações sobre o que pretende fazer no futuro, quando ceder a pasta a seu sucessor no dia 19 de Maio. Há alguns anos manifestou interesse em ser secretário-geral das Nações Unidas. Mas hoje disse, apenas, que continua disponível para servir o seu país.
Durante quase os quase 25 anos de ocupação indonésia de Timor-Leste, Ramos-Horta foi um persistente embaixador itinerante da independência do seu país, percorrendo o Mundo para publicitar a sua causa e fazendo amigos e aliados na ONU, que se viriam a revelar cruciais no apoio internacional ao novo país.
Em 1996 foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz, juntamente com o bispo de Dili, Dom Ximenes Belo. Após o referendo pró-independência de 1999, Ramos-Horta regressou a Timor tendo sido o seu primeiro ministro dos Negócios Estrangeiros, ministro da Defesa, Primeiro-ministro e, desde 2007, presidente da República.
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