Um petroleiro foi assaltado, a sudoeste da ilha Brava, em Cabo Verde, na manhã da passada sexta-feira, 17, uma ação que indica uma presença significativa de piratas da África Ocidental.
Enquanto que em alguns portais lê-se que o navio possuia uma bandeira turca, a agência de notícias especializada no transporte marítimo, TradeWinds, escreve, esta segunda-feira, 20, que o petroleiro tem por base Omã e a bandeira de Palau.
A empresa de segurança Africa Risk Compliance (ARC), citada por esta agência, informou que o navio estava a caminho de Santos, no Brasil, depois de fazer escala no porto russo de Ust-Luga.
“Os dados do navio indicam que a propriedade foi transferida de uma empresa turca em Fevereiro deste ano”, acrescentou a ARC.
Por seu lado, a Ambrey, empresa britânica especializada em gestão de riscos marítimos a nível mundial, indicou que o navio foi abordado por dez suspeitos armados com espingardas AK-47, que, supostamente, danificaram equipamentos de comunicação, assumiram o controlo da embarcação e trancaram todos os tripulantes numa compartição.
Um relatório da Câmara de Comércio Internacional afirma que os piratas ordenaram que os motores fossem desligados e que a embarcação ficasse à deriva, com a intenção de roubar a carga e o barco.
Os tripulantes foram amarrados e levados para a sala do leme, enquanto os piratas roubavam bens e dinheiro.
Duas horas depois, a tripulação conseguiu libertar-se, consertou alguns equipamentos e, seguidamente, o petroleiro seguiu curso, avança a mesma fonte.
Ninguém foi ferido nem foi encontrado qualquer explosivo.
A TradeWinds diz que as autoridades de Cabo Verde foram informadas do incidente, sem dar mais detalhes.
A ARC avalia que o incidente não está relacionado com a pirataria padrão no Golfo da Guiné, devido à localização e natureza do ataque.
“Embora os piratas com base no Delta do Níger tenham demonstrado capacidade de operar a grandes distâncias da Nigéria, os ataques de pirataria ao largo da África Ocidental ocorrem normalmente a 300 milhas náuticas da costa no Golfo da Guiné”, explicou a empresa, acrescentado que “os detalhes relatados do incidente são inconsistentes com os motivos habituais da pirataria no Golfo da Guiné.
O facto de não ter havido nenhuma tentativa de rapto da tripulação com a finalidade de resgate, nem tentativa de roubo “torna este incidente incomum e aberto a questionamentos e, como resultado, avalia-se que não há ameaça ao transporte marítimo na área”, diz a ARC.
As autoridades cabo-verdianas não se pronunciaram sobre o incidente que ocorreu em águas internacionais.