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EUA: Presidente da Câmara diz ter votos para aprovar orçamento e evitar encerramento do Governo


Mike Johhson, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos
Mike Johhson, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos

Senado e Câmara têm até 14 de março para chegar a um acordo sobre o financiamento do Governo

O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos disse nesta terça-fiera, 25, ter assegurado 217 votos para aprovação do orçamento de Estado, contra 215, abrindo assim caminho ao desbloqueio do processo que poderia levar a um encerramento do Governo a partir do dia 14 de março.

"Prometemos entregar a agenda completa do Presidente [Donald] Trump, não apenas uma parte dela. Não apenas um pouco dela agora e regressar para o resto", afirmou Mike Johnson, aos jornalistas.

Antes da votação, vários republicanos estavam preocupados com a dimensão da proposta do orçamento e como pagar o défice dos EUA sem cortar os principais programas de segurança que ajudam os eleitores americanos.

A liderança do Senado propôs aprovar os cortes de impostos num projeto de lei separado ainda neste ano.

O presidente da Câmara tinha afirmado que não estava "apenas a trabalhar para encontrar poupanças para o contribuinte americano, uma utilização melhor e mais eficiente do seu dinheiro, o que somos moralmente obrigados a fazer, mas também temos a obrigação moral de reduzir a dívida".

Apelo do Presidente Trump

O Presidente Donald Trump instou os legisladores a aprovarem "um grande e belo projeto de lei" que será parte fundamental da implementação da sua agenda de políticas internas.

Apesar de Trump ter manifestado a sua preferência pela versão orçamental da Câmara dos Representantes, o Senado aprovou na sexta-feira, 21, uma resolução de financiamento que prevê 150 mil milhões de dólares em financiamento militar e 175 mil milhões de dólares para a segurança na fronteira, uma medida que também evita os controversos cortes no seguro de saúde, Medicaid, da versão da Câmara.

O representante republicano Tony Gonzales liderou um grupo de sete colegas que alertaram contra possíveis cortes no programa de saúde Medicaid, no financiamento da assistência alimentar e noutros programas de segurança social.

"Cortar no Medicaid teria consequências graves, principalmente nas comunidades rurais e predominantemente hispânicas, onde os hospitais e lares de idosos já estão a lutar para manter as suas portas abertas", escreveram os legisladores numa carta a Johnson na semana passada.

A oposição

Os democratas no Congresso também se opõem à proposta republicana de redução de impostos, argumentando que prejudicaria os americanos de baixos rendimentos e de classe média que já estão preocupados com o custo de vida e com a inflação.

Nenhum democrata votou a aprovação do projeto de lei.

Numa carta "Caros Colegas" enviada na segunda-feira de manhã, o líder democrata Hakeem Jeffries escreveu: "Os extremistas de extrema-direita estão determinados a aprovar 4,5 biliões de dólares em isenções fiscais para doadores republicanos ricos e empresas bem relacionadas, explodir a dívida e sobrecarregar os americanos comuns com a conta, acabando com o Medicaid como o conhecemos".

Ele apelou aos colegas a estarem na sua força total "para aumentar a nossa oportunidade de travar o golpe fiscal do Partido Republicano".

Os projetos de lei da Câmara e do Senado terão agora de passar por um acordo para serem aprovados e promulgados pelo Presidente Donald Trump.

Se os legisladores não chegarem a um acordo até 14 de março, haverá uma paralisação parcial do Governo, deixando milhões de funcionários federais temporariamente sem pagamento e alguns serviços governamentais não essenciais também suspensos.

O líder da maioria no Senado, o republicano John Thune, não descartou a possibilidade de apresentar outro projeto de lei de despesas de curto prazo para dar aos legisladores mais tempo para trabalhar num documento mais amplo.

"Estamos a manter todas as opções em cima da mesa, mas estamos a ficar sem tempo", disse Thune aos jornalistas nesta terça-feira.

Democratas falam em "roubos"

O Senado avançou com a votação da sua versão do orçamento devido à incerteza sobre o potencial sucesso da votação da versão da Câmara dos Representantes.

Por seu lado, o líder dos democratas no Senado, Chuck Shummer, alertou para o que, na sua óptica, está por vir.

"Não se enganem, isto vai roubar os idosos, as crianças e os deficientes para pagar os ricos que fiquem mais ricos. É errado. Vamos usar todas as alavancas que temos disponíveis para levantar as preocupações que estamos a ouvir dos nossos eleitores, unirmo-nos e organizarmo-nos com eles e lutar para impedir esta redução de impostos para os multimilionários", disse Schumer aos jornalistas hoje.

Texto de Katherine Gypson

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