As autoridades afegãs estão a contar os votos da eleição presidencial de sábado, 28, realizada num ambiente de ameaças repetidas pelo Talibã e medo do caos pós-eleitoral.
Apesar do melhor desempenho das autoridades eleitorais e de segurança, permanece o receio de que as divergências sobre o resultado possam envolver o país numa desestabilizadora luta pelo poder.
Postos de votação vazias e urnas vazias. Esse foi o cenário que as equipas da VOA encontraram na capital Cabul e em muitas partes do país, no sábado.
Estimativas não oficiais indicam que a participação dos eleitores será uma baixa histórica.
Ameaças extremas do Talibã, insatisfação dos eleitores com os candidatos e confusão sobre a realização de eleições após dois adiamentos impediram as campanhas de ganhar força.
Tendo em conta o histórico de eleições no Afeganistão, muitos temem uma disputa por resultados que pode resultar numa crise total.
“Ninguém aceitará os resultados, além dos envolvidos em fraudes generalizadas”
Alguns candidatos, como o ex-senhor da guerra que virou político Gulbuddin Hekmatyar, parecem já estar a prepararem-se para esse cenário.
"As eleições resultarão no aumento da violência. Ninguém aceitará os resultados, além dos envolvidos em fraudes generalizadas. Naturalmente, isso resultará em crise", afirmou Hekmatyar.
O processo de contagem de votos no Afeganistão é longo. As urnas precisam de chegar de lugares distantes, com pouca ou nenhuma linha de comunicação. Os resultados preliminares serão conhecidos em semanas.
"A lei é muito clara. Se houver fraude, os candidatos e seus seguidores podem ir à Comissão de Reclamações Eleitorais e registar as suas reclamações. A comissão irá tomar decisões”, disse Habibur Rehman, Secretário da Comissão Eleitoral.
A última eleição presidencial foi marcada por alegações de fraude e o país ficou tão dividido que o então secretário de Estado americano John Kerry teve que intervir e intermediar um acordo de partilha de poder entre os dois principais candidatos.
E precisamente os dois – o presidente em exercício, Ashraf Ghani; e o executivo-chefe Abdullah Abdullah – surgem na liderança da corrida deste ano.
Apesar da introdução de sistemas mais robustos para evitar fraudes, incluindo tirar impressões digitais e fotos dos eleitores, já surgiram denúncias de fraude em certas regiões.
As autoridades eleitorais e de segurança insistem que estão prontas para lidar com qualquer cenário. E todo mundo espera por uma transição pacífica. Mas o Afeganistão tem uma longa história de caos pós-eleitoral.