O grupo de doadores internacionais do Orçamento Geral do Estado (OGE) de Moçambique deve anunciar em breve a sua decisão de suspender a ajuda internacional ao país.
A decisão, revelada pelo jornal português Diário de Notícias, acontece depois do Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e Reino Unido suspenderem a cooperação com Moçambique até que o Governo de Maputo explique os três empréstimos secretos no valor de 1,4 milhões de dólares.
Ao chegar na noite desta terça-feira, 3, o Presidente português recusou comentar a notícia do chamado Grupo 14, actualmente presidido por Portugal.
"Aquilo que posso dizer e que os amigos podem dizer a outros Estados amigos sem se intrometerem na vida desses Estados é, primeiro, que a nossa própria experiência mostra que é muito importante haver rigor financeiro, uma preocupação com a dívida pública e haver uma permanente preocupação de diálogo e de estabilidade política", disse Marcelo Rebelo de Sousa, que admitiu que o assunto pode ser discutido com o seu homólogo Filipe Nyusi no encontro que manterão nesta quarta-feira, 4.
No total, são cerca de 1,4 mil milhões de dólares que não constavam nas contas públicas e que levaram o FMI a suspender uma missão que tinha previsto a Maputo e também o desembolso da segunda 'tranche' de um empréstimo a Moçambique.
Uma semana mais tarde, o Banco Mundial suspendeu a ajuda ao OGE prevista para este ano, seguindo-se depois uma decisão semelhante do Reino Unidos.
O Governo de Maputo reconheceu as dívidas e a oposição quer que o Presidente Nyusi vá ao Parlamento explicar o assunto.
A Procuradoria-Geral da República anunciou a abertura de uma investigação sobre os empréstimos.